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Resenha | Dumplin de Julie Murphy @EdValentina

27.1.18


Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e “estou acima do peso e ninguém tem nada com isso” fazem de Dumplin’ um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre. Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.
Leitura de Novembro/2017  | 4⭐ 

Conheçam nesta história a Willowdean, que todos chamam de Will. Já não bastasse o nome completamente original, sua mãe, Rosie, ainda a apelidou de "Dumplin", que traduzindo de forma literal quer dizer "bolinho de massa". Com esta informação já fica claro porque a relação entre elas não é um mar de rosas né? As duas pensam de formas diferentes quando o assunto é o peso e as coisas se complicam ainda mais quando Will tem a brilhante ideia de participar do Concurso Miss Jovem do Texas em que a mãe é a responsável por organizar há quinze anos. Rosie é um ex miss e acha que a sua filha não se encaixa nos estereótipos destes concursos de beleza, por isto o preconceito já começa em casa.

Meu corpo é o grande vilão da história. É assim que ela o vê. Uma prisão que encarcera a parte melhor e mais magra de mim. Mas está redondamente enganada. Detesto ver gordas na tevê ou no cinema, porque parece que o único jeito de o mundo aceitar um gordo é se ele estiver infeliz com o próprio peso ou se for o melhor amigo piadista. E eu não sou nenhuma das duas coisas.

Will tem dezesseis anos, vive no Texas, trabalha em uma lanchonete, é fã de Dolly Parton e apaixonada por um garoto que trabalha com ela chamado Bo. Quando ele também começa a mostrar interesse por ela, Will não consegue acreditar e então a trama vai girar em torno desta interação dela com o Bo, com o trabalho, com a melhor amiga Ellen e com a mãe, sendo que, em cada um destes relacionamentos, vai ter que enfrentar um dilema diferente. 

Porque a palavra gorda deixa as pessoas constrangidas. Mas, quando alguém me vê, a primeira coisa que nota é o meu corpo. E o meu corpo é de uma gorda.



Cada menina é só uma versão diferente da mesma história.

Will é uma adolescente, e como tal, tem dúvidas e inseguranças normais da idade, no entanto, o que eu mais gostei nela é que ela não é aquela "gorda assumida" da boca para fora, aquela hipócrita que só aceita o peso para bancar a politicamente correta na frente dos outros. Ela é autêntica e realmente não tem problema nenhum de autoestima. Isto na maior parte do tempo, porque vamos combinar né gente, qual é o ser humano que às vezes não tem pensamentos negativos sobre si mesmo? Isto é completamente natural.

Eu sou Dumplin’. Will e Willowdean. Gorda. Feliz. Insegura. Corajosa.
Linda, foi o que ele disse. Gorda, é o que eu penso. Mas será que não posso ser as duas coisas ao mesmo tempo?


Neste livro tem várias mensagens notáveis e engraçadas, ele fala principalmente sobre os problemas com o próprio corpo, bullying, amizade, primeiro amor, aceitação e autoconfiança, todos abordados de forma leve. Foi realmente incrível ler sobre uma garota que mesmo tão nova tinha uma cabeça tão boa, ainda mais pela criação que teve. Sua mãe não é uma pessoa má, apenas tem ideias distorcidas e faz a filha sofrer não só com o que costuma falar, mas também quando o assunto é a irmã que morreu há alguns meses. Will ainda não superou a perda da tia que foi a responsável por transmitir ensinamentos valiosos e que ela sempre tenta colocar em prática na sua vida. 

(..) se há uma coisa que viver na minha pele me ensinou foi que, se o corpo não é seu, você não tem direito de dizer nada. Seja a pessoa gorda, magra, alta ou baixa, não interessa.

Se em alguns aspectos Will era muito bem resolvida, em outros acabou gerando situações e falando coisas que me irritaram profundamente, seja com uma discussão com a melhor amiga ou sabotando seu relacionamento com o Bo. Era nítido que o Bo gostava dela de verdade e mesmo assim ela fez o garoto sofrer sem necessidade. Nutria sentimentos por ele, mas tinha muito medo de se envolver com um cara mais popular. Não colocou fé que outra pessoa pudesse gostar dela do jeito que ela era, sem que ela tivesse que mudar de alguma forma ou em algum momento. Esta parte da história eu não gostei, era como se ela dissesse: "eu sou gorda, sendo assim, um cara legal não pode se apaixonar por mim", ou "você pode até gostar de mim agora, mas eu ainda vou continuar gorda, uma hora isto vai te incomodar." 


(...) a verdade é que eu estou furiosa, principalmente por ter sentido vergonha — afinal, por que deveria? Por que deveria me sentir mal só por estar a fim de cair na piscina ou de usar maiô em público? Por que deveria sentir necessidade de entrar e sair correndo, só para ninguém ver a atrocidade que são as minhas coxas?


Deixando estas ressalvas de lado, "Dumplin" é maravilhoso em vários sentidos. Toda a preparação para o concurso de miss e a inscrição de Will inspiram outras meninas que também não se encaixam no padrão de beleza a participar, o que acaba fazendo com que Will se sinta responsável por elas. Foi gostoso ver como cada uma mostrava o talento que tinha sem hesitar. Muitas cenas me fizeram admirar demais esta protagonista fofa e no final eu queria estar lá para aplaudir.

A capa e a frase logo abaixo do título chamam a atenção e convidam o leitor a conhecer esta obra tão realista e comovente que mesmo que tenha uma linguagem voltada para o público jovem, é indicada para pessoas de todas as idades. Eu adorei! Divertida e cheia de profundidade, me fez dar um Google depois para saber quem era a essa tal de Dolly Parton que Will tanto citava. Será que só eu não conhecia? 😛

Dumplin será adaptado para os cinemas e terá Danielle Macdonald interpretando Will (escolha mais do que aprovada) e Jennifer Aniston (que dispensa apresentações) interpretando a Rosie. As gravações já começaram, mas ainda não tem data para estreia.

Onde Comprar:  Saraiva Cultura Amazon


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