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Resenha | Pecadora de Nana Pauvolih @PlanetaLivrosBR

18.9.17

Todos nós éramos pecadores. Somente uma coisa diferenciava um pecador: as escolhas. Saber o certo e escolher seguir pelo caminho errado em vez de fazer o que era correto. Fechei os olhos. Apesar de tudo que tinha feito naquela noite, não me arrependi. Era pecado, era perdição, mas também era mais do que eu já tinha sonhado em ter. ––– Entre a rígida criação religiosa e o desejo que sempre a consumiu, Isabel precisa se encontrar.
Casada há quatro anos com Isaque, seu namorado de adolescência, a jovem sabe que a relação está longe de ser satisfatória. Mas é só quando Isaque fica amigo de Enrico, um publicitário solteiro e bem-sucedido, que a situação começa a ficar insustentável. Agnóstico, sem amarras e cheio de mulheres, Enrico é tudo o que Isabel acredita rejeitar, mas ela não consegue deixar de se sentir interessada pelas histórias que o marido conta dele. Para piorar, ela consegue um emprego na agência dele, e agora terá de passar os dias ao lado do homem que traz à tona seus sentimentos mais proibidos. Neste novo romance, Nana Pauvolih, uma das maiores autoras de romances eróticos do país, mostra que o certo nem sempre precisa ser aquilo que é imposto, e sim aquilo em que se acredita.
Isabel é a filha do meio de um pastor e foi criada ouvindo que sua vida deveria ser concentrada em Deus. Frequentava a igreja, era temente a Deus e mesmo que não fosse rebelde como a irmã mais nova que foi expulsa de casa grávida, ela se decepcionava consigo mesma pelos seus pensamentos impuros. O seu casamento é arranjado pelos pais quando ela tem 17 anos e nunca sequer experimentou um beijo. Ela não se opõe porque quer agradá-los, porque acredita que é o certo a fazer e, de uma certa forma, passa a amar o marido com o tempo. 

Depois de cinco anos casada com Isaque, onde ela é praticamente uma escrava do lar, onde seus desejos sexuais não são satisfeitos e onde ela tenta de tudo para melhorar a relação e dialogar, Isabel se vê obcecada por Enrico, um amigo do seu marido. Isaque fala tanto deste amigo e sobre suas aventuras sexuais que ela sente que já o conhece. Passa a ter raiva dele mesmo sem nunca tê-lo visto e não entende como dois homens tão diferentes podem manter uma amizade.
Talvez eu só fosse uma fantasia para ela. E como condená-la, se ela também tinha virado uma fantasia para mim.
Enrico é um homem lindo e bem sucedido, não pensa em casamento e filhos e está feliz com o modo como leva a vida, se satisfazendo com pequenos casos. É dono de uma agencia de publicidade e Isaque consegue arranjar uma entrevista de emprego para Isabel lá. No começo ela inventa mil desculpas para não ir porque, no fundo, ela sabe que não vai dar certo ficar tão próxima de Enrico. Assim que o conhece pessoalmente, ela descobre que estava certa quanto a isto e luta contra seu desejo por ele todos os dias, enfrenta situações constrangedoras, segue o impulso de trocar mensagens anônimas com ele, ao mesmo tempo em que tenta salvar seu casamento. Até se dar conta, que pela primeira vez na vida, está apaixonada de verdade. É aí que a reviravolta começa a acontecer na vida dela. Por dentro e por fora.
Havia em mim uma Isabel rebelde que queria falar mais alto, soltar-se das amarras, arriscar-se, simplesmente viver, nem que fosse para perder feio, sofrer e entender que estava errada. Nem que fosse para pedir perdão a Deus e voltar de joelhos, mas com a certeza de estar firme e inteira. No entanto, mais forte que este desejo era o medo.
Não é só a Isabel que luta muito contra seus sentimentos, Enrico tem um caráter inquestionável e também não quer se envolver com a mulher de um cara que ele tem tanta consideração. No entanto, o seu desejo por Isabel, mesmo quando ela mesma ainda não se sente nada desejável é mais forte. Isto que eu achei maravilhoso nesta história. O Enrico podia ter todas as mulheres que quisesse, e tinha mesmo as mais lindas, mas olhava para a Isabel como se ela fosse especial, ficou fascinado por ela e se culpava por isto. Isabel ama frequentar a igreja e acredita em seus ensinamentos, mas sente que aquela infelicidade toda que sente não é certa. Para ser feliz de verdade ela vai ter que lutar para se libertar das amarras impostas não só pela sociedade, mas pelos seus pais e por toda a família do marido.

Foi doloroso observar todo este processo porque Isabel sofre e briga muito com a sua consciência. Não é fácil você desistir de tanta coisa em que acredita, deixar para trás uma vida já toda estruturada para ir viver uma nova e desconhecida e sem apoio de ninguém. Ela foi corajosa e entrou de cabeça nesta nova relação que mesmo que tenha começado de um jeito errado, foi se encaminhando para ser a melhor coisa que ela já fez na vida. Tudo isto somado ao reencontro que Isabel tem com a irmã tornou esta leitura incrível para mim. Eu adorei a maneira que a própria vida se encarregou de mostrar para a Isabel qual era o caminho que ela tinha que seguir. O destino que teve a sua irmã depois que foi expulsa de casa e o apoio dela foram fundamentais neste processo.
Eu acreditei, porque seu olhar profundo e sua voz rouca me convenciam, faziam com que eu me sentisse fêmea, poderosa, liberta de todas as amarras em que havia vivido por tanto tempo.
É um fato o quanto eu adoro a escrita da Nana. Com exceção de quatro obras dela que eu ainda não li, todas as outras me surpreenderam da melhor forma possível e causaram ressacas violentas. Ela tem o dom de escrever cenas eróticas intensas trazendo também temas que fazem o leitor refletir em meio a um enredo rico e bem construído. Foi difícil escrever o que achei desta obra que além da infidelidade também fala de religião. Religião não se discute, cada um tem a sua crença e deve respeitar a dos demais e é por isto que eu dou palmas para autora por abordar um tema tão complexo.

Apesar de não concordar nunca quando o assunto é traição, não consegui julgar a Isabel. Aliás, quem somos nós para julgar alguém? Só lendo para você conseguir entender que a questão aqui vai muito além de infidelidade conjugal. A autora mostrou o quanto a mente da Isabel funcionava, ela foi moldada pelos pais fanáticos desde criança, não teve a mesma liberdade que os amigos e sofreu muito com isto. Como condenar uma pessoa que já se auto-condena diariamente? Além do mais, mesmo que isto não justifique, observamos na trama que apenas a Isabel luta pelo seu casamento enquanto que Isaque é acomodado, e isto me deu muita raiva. Como julgar o que é certo ou errado? O que é pecado e o que não é? Nada é preto no branco nesta vida. Os capítulos são intercalados entre Isabel e Enrico e eu me envolvi de uma forma tão profunda com o romance dos dois que no final eu queria mais. O epilogo foi lindo e me deixou extremamente comovida. Adorei e recomendo muito!

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